Desejos mortais

(Por Gerson Kauer)

“Ensinaram-me, em menino, que todos os castigos vêm do céu, de Deus.

E que, mesmo assim, eu deveria fazer tudo para ir para o céu. Não quero.”

(Antônio Maria)

maria volta ao bar 2

Qual o problema em desejar a morte de alguém?

A tal da vida eterna, paraíso, sentar ao lado do Altíssimo, que por sinal deve ter infinitos lados, não é o sonho de todos que se dizem crentes?

Quando desejo a morte de alguém, só estou manifestando minha magnânima vontade de que o sujeito conheça o paraíso antes de mim. Que se adapte por lá e quando eu, calouro, chegar, ele até poderá se divertir pregando-me peças angelicais. Fico aqui, purgando mais uns anos, vendo meu corpo despencar em pelancas e assistindo as mazelas humanas. Eu mereço! Sou meio mau.

Para meus desafetos, só o melhor! A paz infinita, a passagem para o paraíso, por minha conta.

Se eles vão para o inferno? Não creio! Não são assim tão maus, tipo Hitlers. São apenas perdidos, desajustados, desonestos, assassinos e mal intencionados. Coitados. Esta vida triste e sem perspectivas os fez assim, por isso, meu mais íntimo desejo de que partam, para se encontrar e ter a paz. O Criador saberá perdoá-los em sua sabedoria infinita. Quanto a mim, Deus ainda não decidiu o que fazer, então vou ficando.

Por isso meu amigo, não se torture ao desejar a morte de alguém. E eu sei que você secretamente já desejou. Desejou sim! Não se torture com o dilema de acreditar que o paraíso é a melhor coisa do outro mundo, e que, desejar a ida de alguém para lá seja um pecado. Besteira! Deseje sem pudor.

Aposto que agora mesmo você está fazendo sua lista mental de condenados.

Saliento entretanto, que há uma distância e um destino diferentes entre ter um desejo e querer implementá-lo. Neste caso, especialmente. Rogo-lhe que não se auto impute a missão de ser uma ferramenta de Deus, limite-se a lembrá-lo, de vez em quando, que que há alguns filhos seus que já poderiam estar brincando no playground do Éden, se é que ele existe.

Em minha infinita ignorância, alimento esperanças de que haja nada após a morte. Me apavoro ao pensar que depois de tudo isto, ainda não seja o fim.

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