A cor das pessoas boas

“Antônio Maria era um sedutor.

Acreditava profundamente na força do seu taco: a conversa. Há quem se lembre até hoje do glorioso dia de 1957 em que entrevistou a cantora Maísa no Encontro com Antônio Maria, programa que fazia durante toda a semana às 22 horas na TV Rio. Um talk-show ainda sem esse nome besta. Estava gordíssimo, era uma noite quentíssima, o estúdio sem ar-refrigerado estava abafadíssimo, Maria suadíssimo, e também era superlativa a paixão que nosso herói parecia sentir ali, ao vivo, diante de toda a cidade, pela cantora. Um escândalo, um tesão incontrolável. Cantou-a descaradamente, com elogios aos olhos verdes, roubou a poesia de Manuel Bandeira e disse que eles eram dois oceanos não pacíficos e que sua alma – Maria dizia isso meio de brincadeira, pois era uma das expressões favoritas do produtor do programa Carlos Alberto Lofler, um ser meio esotérico, leitor de Herman Hesse -, sim, e que sua alma era azul, pois azul era a cor das pessoas boas.”

(Trecho extraído do livro Um homem chamado Maria, de Joaquim Ferreira dos Santos)

um homem chamado Maria

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