Escreva uma carta terna

Em seu Diário, Antônio Maria lista as 10 coisas de que mais gosta. São elas (em ordem): mulher, cigarro, frio, música, comida, bebida, poesia, piscina-mar, as flores e o campo.

Um homem com tais gostos e vivendo no Rio de Janeiro na década de 50 só poderia ser conhecido como a “alma gêmea” de Vinicius de Morais. Aliás, o Poetinha (apelido de Vinicius) foi criado pelo amigo Maria em uma de suas noitadas.

Foi também em uma das viradas de noite que os dois fizeram um pacto. Vinicius, ao ver um grupo de idosos penosamente se exercitando, comentou ao amigo. “Quero fazer contigo, meu Maria, o pacto de que, daqui para frente, jamais faremos qualquer tipo de esforço inútil”.

Esta é apenas uma das histórias protagonizadas por estes dois apaixonados pela vida e pelo desejo de vive-la ao máximo de sua intensidade.

Ainda no seu Diário, Maria conta sobre uma carta recebida do amigo, após um desentendimento em uma noite de farra. Diz o Poetinha na carta. “Você é homem guardador de coisas, mas francamente, comigo não é preciso. A amizade que há entre nós, um negócio tão viril e sério, não pode, definitivamente, se intimidar diante de coisa nenhuma. Que Diabo, meu Maria, pegue um papel e me escreva uma carta terna, dizendo que não há nada, e esqueça os imponderáveis da vida. Você me disse que a única coisa que poderia quebrar nossa amizade seria uma mulher. Eu estou certo de que nem isso”.

*Diário de Antônio Maria são dois cadernos que o cronista escreveu entre os dias 12 de março e 19 de abril de 1957.

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