Conheça o cronista – Linda Grossi

Linda Grossi, nascida em Porto Alegre, é esposa, mãe e filha. Só o horóscopo consegue explicar a tradução de “família” em sua vida: nasceu em Câncer com ascendente em Câncer. Para despoluir o Guaíba, se formou Engenheira Química. Para não deixar que o tempo amarelasse suas memórias mais valiosas, escreveu Meu Anjo Gabriel e Luiza – Bom dia, flor do dia para a família e participou da antologia Santa Sede – Crônicas de botequim Safra 2013.

Linda Maria, sempre otimista, segue a vida com leveza. Acredita que todas as pessoas são do bem e afirma que tudo tem solução – se estressar para quê? Sua felicidade se traduz em cinco sentidos: os olhos sorriem para o avião que cruza o céu azul, os ouvidos batem palmas para a gargalhada dos filhos, o nariz festeja o cheiro de grama molhada, a boca estala com o conforto de um café com leite e seu corpo estremece com o calor do abraço de seu amado.

Linda Grossi

Preto e branco

 “Que medo nos causa o silêncio que existe

por dentro dos homens.” (Antônio Maria)

Inesquecíveis. Surpreendentes. Apaixonados.

Éramos assim.

Vivemos seis anos num sonho. Sempre achei que a “crise dos sete anos” era uma besteira, mas não, não consegui acordar deste pesadelo.

Tudo foi muito sutil no início. Começamos a nos esquecer dos encontros marcados e das combinações feitas. Depois, passei a não me lembrar da tua gargalhada, das unhas roídas nem da nossa música. Não fui só eu a me esquecer. Nós nos esquecemos.

Os dias ensolarados foram encobertos por pesadas nuvens. Deixamos que a rotina tirasse toda a nossa alegria. Bom dia. Bom trabalho. Boa noite. Só isso. Ponteiros vazios girando repetidamente. Passamos a viver em preto e branco, sem surpresas.

E pensar que fizemos juras para as ondas do mar… Colocamos nossas iniciais em cadeados nas pontes de Paris. Inventamos passos de dança. Contávamos os beijos. Éramos o exemplo de casal que se AMA, com letras maiúsculas.

Nos últimos tempos, o medo apertava meu peito em toda troca de olhar. A cada amanhecer, sentia que o nós estava sem fôlego.

Mas eu não queria um ponto final.

Queria ter taquicardia. Sentir as pernas bambas. Ouvir minha voz tremendo.

Queria o nós. De novo.

Respirei fundo e te chamei para montar o nosso quebra-cabeças. Prometi criar uma cena de cinema, mas jurei que seria verdadeira. Falei. Chorei. Supliquei por teu amor.

Cansado de mim, cansado de nós, não me respondeste.

Em silêncio, saíste de casa.

Em silêncio, eu continuei arrumando teu travesseiro ao lado do meu.

Todas as noites.

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3 comentários sobre “Conheça o cronista – Linda Grossi

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