Conheça o cronista – Vanessa Conz

Vanessa Conz mora em Porto Alegre. Engenheira química, com mestrado, pós-graduação e exames médicos em dia. Atua na indústria química e se diverte na literatura. Participou da antologia Santa Sede, Crônicas de Botequim – Safra 2013. É casada com Rogério, com quem espera ansiosamente Cecília, sua primeira filha. Gosta de ler, escrever e viajar, preferencialmente para lugares remotos. Quase todas as suas decisões são racionais, não fosse sua porção Maria…

Vanessa Maria. Um pouco mais nova que a Conz, nasceu no dia em que escreveu a primeira frase. Apaixonou-se pelas palavras porque são elas que entortam o punho. Observadora, sofre ao criticar o mundo e ao mesmo tempo agradar a todos. Sentir é o verbo que escolheu para andar e dar pés a sua vida. Acha que a sensibilidade resolveria metade dos problemas mundiais. No maior estilo Maria, eventualmente aprecia a melancolia só para provocar a ponta do lápis.

Vanessa Conz

Quanto tempo? 

“Um homem – o melhor deles –

é feito apenas de dor e orgulho.” (Antônio Maria)

Quanto tempo durará, no ar, o rastro de perfume de alguém que acabou de sair de casa? Quanto tempo durarão as flores, que pela última vez foram colocadas no vaso da sala? Quantos dias passarão, até que o lençol, não lavado, abandone os últimos fios de cabelo de quem se foi?

Ele está sentado no sofá há cinco horas desde que ela partiu. Para sempre. Pela cabeça, perguntas vagam como balões e, na mesma velocidade com que surgem, desaparecem, sem que as respostas as alcancem. Olha o cômodo ao seu redor como nunca fez antes. Não interessa os motivos da partida. Não interessa chorar. Não interessa pensar em meios de trazê-la de volta.

Pensa nos breves momentos de vida que perdeu e que aconteciam na sua frente. Sozinho, não saberá carregar o lixo para rua. Separar o orgânico do seco. Dar água para as plantas. Com quais plantas ela conversava? Não saber essas coisas lhe doía mais do que toda a humilhação causada pelo que ouvira dela. Nem mesmo a escutou por completo enquanto ela fazia as malas e o apunhalava. Nesta hora, chegou a reparar na forma com que ela, mesmo ofegante e raivosa, ainda dobrava perfeitamente as roupas antes de atirá-las na mala.

Acreditava piamente, dentro de um orgulho disfarçado de lucidez, que o fracasso era irreversível, perdera-a em todos os segundos, minutos e horas dos últimos anos em que não olhou para aquela sala como fazia agora.

No entanto, aquela distração, embora parecesse imperdoável, jamais poderia ser chamada de desamor ou desafeto.

Quanto tempo durará um feixe de sol, que penetra a casa e exige a cortina de braços abertos? Por quanto tempo um cesto de maçãs decorará a cozinha sem que comece a enrugar o ambiente? Quanto tempo durará, no coração de um homem, traços de arrependimento, quando este mal os conhece? Quanto tempo leva um homem para perdoar a si mesmo por ter amado e não ter percebido?

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