Nascer num bar

Para amar uma pessoa, em primeiro lugar, é preciso conhecê-la. Por isso que, acredito, quase ninguém ama o compositor e cronista Antônio Maria, no Brasil. Ninguém conhece Antônio Maria.

Mas basta ler uma de suas crônicas (ele escreveu mais de 3 mil) para o leitor se apaixonar e querer conhecer sua vida e obra.

Aliás, o político mineiro José Aparecido, que era frequentemente alvo de sua ironia feroz, conta uma história que ilustra como era fácil se apaixonar pelo cronista recifense.

Os dois se encontraram na casa do jornalista Joel Silveira, no Rio.

“Quando fomos apresentados, Antônio Maria disse que era um grande prazer conhecer-me, mas logo retruquei. O senhor fala tão mal do governo e de mim que acho que não deve ser assim um prazer tão grande me conhecer”, contou o político. Ao que este retrucou: “No Brasil, a gente só pode falar mal de quem não conhece. Conhecendo, fica amigo”.

E amigos proliferavam ao redor de Antônio Maria. Um de seus maiores parceiros foi o poetinha Vinicius de Moraes. Aliás, a crônica de Vinicius sobre a morte do amigo, a quem chamava de Meu Maria, chamada Morrer num bar, é simplesmente uma das coisas mais lindas que já li.

Por que resolvi lembrar de Maria hoje?

Na quarta-feira, dia 15, faz 50 anos que Antônio Maria Araújo de Moraes nos deixava. E nesta mesma noite, será lançado o livro Maria volta ao bar, escrito por onze novos cronistas gaúchos (entre eles, este escriba aqui), reunindo 55 crônicas inspiradas em frases de Antônio Maria.

Se você ficou interessado em conhecer algumas das crônicas, já há um bom número delas no blog Maria volta ao bar.

Ah, claro que o lançamento não podia ser em outro lugar, senão, em um bar. Mas, contrariando o Vinicius, desta vez, faremos Maria nascer num bar.

Obs: Sim, informar que existe um blog Maria volta ao bar dentro do próprio blog Maria volta ao bar é uma contradição. Mas o autor da coluna, Felipe Maria Basso, além de participar da oficina, também é colunista do Portal Baguete, em que primeiramente ele publicou essa coluna. Por ser domingo, dia em que a preguiça é perdoada, ele apenas transcreveu para cá. Pode, Arnaldo?

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