Errado

Mariana Marimon

“Quantos séculos e quantos poetas deverão passar,

para que se digam todas as verdades?” (Antônio Maria)

A verdade – nua e crua – é ser tua.

A verdade é que não me agrada, em nada, que elas tenham o que eu desejo: teu abraço, teu cheiro, teu beijo.

A verdade é que não importa se a alma comporta uma cicatriz assim. Dessas em que o corte só vem no fim. Dessas que nem pele nem pelo podem apagar, porque se revela no olhar, no jeito de falar, no aperto do abraço.

A verdade é que eu queria saber a frase certa a dizer para te ver desmoronar. Para te soltar as penas e o suspiro que num arfar te faz pensar que sim: tu podes me amar.

A verdade na poesia é que sempre que ela fazia sentido, a gente ia sentindo que partir era melhor, que repetir-se era maior, que o tempo era de fugir do que não podemos nos esconder, de encerrar o que insiste em gritar.

A verdade é que teu comportamento clichê me faz perceber que te querer talvez não me faça feliz. Que estar ao teu lado ou de braços dados esteja errado, por um triz.

A verdade é que minhas certezas andam em dúvida, errando as curvas do que é dito e do que é feito. Mesmo que já seja escrito. Mesmo quando dói no peito.

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