Dona Eva Dias e o causo do pezinho de caralho

Tiago Pedroso

Se eu imaginasse a falta que me faria agora, não plantava tão frágil semente fálica. Sempre tive a mão boa, é verdade, mas nunca depositei esperança naquela mudinha de tico murcho, quase sem vida. Foi com surpresa que, em tão pouco tempo, vi brotar meu viçoso pé de caralho grosso. Ouviram minhas preces lá em cima? Não precisaria eu ficar vinculada ao que acompanha um bom exemplar de pica dura, a quem chamam: homem.

No começo, ainda moça e inexperiente, exagerei nas primeiras podas. Quase perdi minha planta erótica por excesso de zelo. Algumas primaveras mais tarde e já tinha o tempo certo de exposição ao sol, boas regadas e um carinho especial que fez crescer meu pau plantado, com raízes fortes e uma enorme cabeça rosada.

Meu orgulho, meu xodó. Exibi-lo às amigas, despertava em mim prazer semelhante ao das noites quentes em que adormecia na plantação. Onde o ar – voyeur fresco – acariciava-me juntos as hortaliças bem dotadas. Vem o outono. Caem os pentelhos. Folhas secas pelo chão, desnudando um par de bolas lustroso. No inverno, encolhido de frio, mal punha a cabeça para fora do prepúcio. Ë primavera novamente, sábia mãe natureza. Meu pé de caralho se renova com vigor. Assim passavam os anos. E eu agradecia aos céus. De tudo o que eu precisava, a terra me provia em abundância.

Pois dos céus, de pernas abertas, é que viria minha desgraça. Formigas, por mais taradas que fossem não se aproximavam do meu estimado canteiro. Pássaros curiosos, também não se atreviam fustigar meus frutos do pecado. Nem mesmo as sorrateiras ervas daninhas tinham vez em suas investidas contra minha plantação orgásmica. Aconteceu no verão. Bocetas aladas! Sim. Um enxame de bocetas com asas atirou-se, em vôos rasantes, sobre o canteiro. Jovens pererecas apenas acompanhavam ao longe. Algumas, raspadas, quase tocavam os ramos. Outras, mais experimentadas, premiam os grandes lábios a emitirem sons, capazes de provocar ereção imediata nos brotos mais verdes do meu pezinho de caralho.

É foda, mas é fato! Foi assim, numa revoada de bocetas, que perdi para sempre uma safra inteira de caralho grosso. Debandaram todos. Cegos caralhos voadores, enfeitiçados pelo canto das xoxótas.

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