Conchinha

Gerson Kauer01Por Gerson Maria

Dormir em conchinha é um esporte muito praticado nestas noites frias. Momento prazeroso do casal, aliando o descanso ao carinho de um abraço quente e confortável. Tudo muito lindo, mas até chegar neste estágio há um caminho a percorrer.
Aos homens solteiros e novatos na arte da divisão do leito, alguns conhecimentos mantidos em segredo devem ser revelados. Se você tem uma cama de casal só para você, aproveite. Deleite-se ocupando o espaço,espalhe-se. E grave este momento em um lugar especial da memória.Sei que você está pensando que a cama é grande e que a divisão com a futura patroa será maravilhosa. Realmente será, mas saiba que a divisão metade/metade é um mito. Se você conseguir demarcar trinta por cento de território, considere-se um vencedor. Mulheres sentem mais frio que homens, percebe-se já no banho. A temperatura da água delas é praticamente lava vulcânica. É uma boa prática o homem tomar banho antes, para aquecer o ambiente e ir para a cama, onde poderá esquentar o lado da amada. Obviamente ele não conseguirá aquecer toda a área que ela irá ocupar, mas já ajuda. Mulheres chegam do banho com muita pressa, o trajeto do chuveiro até a cama é um ambiente inóspito, com ventos glaciais e caminho nevado. Ao ser empurrado, você cai no seu lado, gelado, e na sequência vem o entrelaçamento de membros álgidos ao seu corpo. Raramente o homem reclama, elas acham que somos gentlemans ou machões, na verdade ficamos momentaneamente petrificados. Caso o homem tenha ficado do seu lado da cama para facilitar o acesso dela, pouco adiantará. Ela grudará no seu corpo, tendo espasmos e tremiliques enquanto tece uma série de impropérios contra as baixas temperaturas. Pés e mãos serão drenos sugando seu calor vital. Passada esta fase e reestabelicida a temperatura de sobrevivência, o homem começa sua luta para respirar e recuperar seus movimentos autônomos.
Vem então a fase do rocambole. Ela, aquecida, começa seus movimentos rotatórios de troca de posição. A cada volta soma uma camada de edredom. Desista de puxar os trinta centímetros que lhe restam, eles só irão diminuir sendo sugados pelo enorme rocambole que outrora foi sua amada.
Um homem experiente guarda estrategicamente um edredom extra debaixo da cama. Com discrição e silêncio ele se cobre e se mantém ali, mal respirando, para que o rolo ao lado não perceba. Mas os instintos rocambolescos são muito apurados. O seu silêncio e a respiração confortável alerta a fera. Segue-se uma tensa negociação de bens e, finalmente, há paz, e o tão esperado momento conchinha chega, cobertos com os dois edredons. Mas ainda há cuidados a serem observados, ao trocar de posição o homem deve ser discreto e lento, não pode haver vento sob a cobertura. E na madrugada, muito cuidado. Prenda uma borda do edredom extra debaixo do colchão. O rocambole voltará.

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