Maria é só amor

Maria é só amor

(Declaração de amor a todos os leitores da página Maria volta ao bar)

Ah…o dia é de esperança no amor e é difícil não entrar no clima. A notícia da gravidez chegou ao meu conhecimento em janeiro do ano passado. Acabou nascendo, exatos noves meses depois, mais precisamente no dia 15. Acompanhei toda a gestação, do início ao fim. Havia muita gente ansiosaMarias coloridos I, muita gente envolvida. No dia em que nasceu, então, nossa, que alegria. Que coisa mais linda. Todo recém-nascido é uma graça, mas quando é da gente, é ainda mais especial. Seu nascimento foi comemorado por muita gente, em uma festa emocionante, que teve direito, inclusive, a foto em jornal. Um mês depois e a criatura já estava sendo entrevistada por gente graúda. Continua me arrancando lágrimas e cresce com liberdade, correndo mundo afora, com disposição e entusiasmo. Já tirou fotos no Rio de Janeiro, ao lado do Drummond e do Tom, já circulou pelos bares cariocas e gaúchos, e até com o mestre Luis Fernando Veríssimo já foi vista. Acreditam, que antes mesmo de completar um ano, já é finalista de um prêmio aqui na nossa Capital? Eu sei, eu sei, é apenas um livro e é um tanto quanto boba essa minha declaração….Mas, vamos falar de outra coisa, senão eu já vou começar a chorar novamente…

Leitores, nós amamos vocês

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Saiba mais do Maria volta ao bar

A master class da Santa Sede buscou na lembrança do cinquentenário de partida de Antônio Maria a oportunidade ideal para glorificar sua memória. Antes de tudo, o grupo foi incitado a mergulhar no universo do escritor, ler sua obra, saber de sua vida. Refletir sobre nosso tempo em consonância com a sensibilidade mariana. Concomitantemente, foram pinçados de sua produção pequenos fragmentos capazes de servirem de inspiração para novos textos, os quais aparecem no livro em forma de epígrafes. Daí surgiram 55 crônicas inéditas, as quais compõem Maria Volta ao Bar.

Todos os Marias

O resultado, graças a Deus, não se constitui em imitação ou apropriação de estilo. Antônio Maria entrou em nossa vida para servir de estímulo à escrita sensível e intensa, contaminando a voz literária de cada um dos cronistas em medida particular, intransferível. Outrossim, os temas internos dos autores foram preservados o tempo inteiro, deixando com que a influência servisse de enriquecimento, tempero, luz. Reverência. Era como se ele próprio estivesse em nossa mesa, opinando de modo generoso sobre a construção literária.

Navegue por este blog para conhecer as tantas facetas de um intenso ano de trabalho, reconhecido nacionalmente com notas em jornais de Porto Alegre ao Recife e, para nosso orgulho, levando a Santa Sede para a bancada do Programa do Jô. Aqui estão nossas biografias, as crônicas, a correspondência com leitores, fotos e vídeos. Maria Volta ao Bar foi nosso modo carinhoso de sonhar que, se vivo fosse, se em Porto Alegre morasse, poderíamos ser amigos de Maria, com ele rir e chorar, por ele cruzar a cidade em busca do último bar aberto na madrugada.

Capa_MARIA VOLTA AO BAR (3)

Amigo imaginário

Por Linda Grossi

Apolinário 3

“Não se recusa vinho maduro, sejam quais forem às circunstâncias.”

(Antônio Maria)

Maria, 53 anos, funcionária pública. Rotina diária: oito horas trabalhando, oito horas cuidando da velha tia solteirona, oito horas dormindo.

Não tinha amigas. As conversas de suas colegas, marido-filhos-casa, não a interessavam. Seu único divertimento era o bingo da igreja. Seu coração batia acelerado em cada bolinha sorteada. Na festa da Páscoa, o N30 completou sua cartela – taquicardia por mais de quinze minutos. O prêmio? Uma passagem para Nova Iorque. Para duas pessoas.

Com a promessa da viagem, a velha tia solteirona perdeu cinco horas de cuidado. Maria não largava seu mais novo amigo: o computador. Ela só queria saber de teclar com João. João? Sim, com o João – o responsável da agência de turismo pelo prêmio.

João era ótimo. Sabia tudo sobre os Estados Unidos. Conhecia Manhattan como a palma de sua mão. Montou um roteiro de celebridade: Times Square, Central Park, Empire State Building, Central Station, Metropolitan Museum. Restaurantes elegantes. Musicais da Broadway. Maria começou a acreditar que até encontraria Frank Sinatra na cidade que nunca dorme. Rapidamente, as mensagens escritas se transformaram em ligações. João, com uma boa lábia, vocabulário generoso e bom senso de humor, fazia com que cada conversa fosse o acontecimento do dia de Maria. Seu coração não batia mais pelas bolinhas do bingo. O trim-trim do telefone é que a fazia suar frio. João seria o seu melhor acompanhante. Mesmo não o conhecendo e morrendo de medo de encontros de Internet, Maria queria arriscar. Era sua chance de mudar de vida. Ter uma vida sua. Sem a velha tia solteirona…

No dia da viagem, combinaram de se encontrar embaixo do relógio principal do aeroporto às 20h.

Como num filme, João e Maria se encontraram sem um segundo de atraso. Diferente das comédias românticas de Hollywood, não houve aquela corrida, em câmera lenta, onde o casal se abraça e tudo acaba num lindo beijo de amor. Nada. Nem beijo, nem abraço. Maria sabia que não era uma Angelina Jolie, mas esperava por um Brad Pitt. João, definitivamente, estava longe de ser um Brad Pitt. Nem com um sorriso amarelo conseguiu esconder sua decepção. João, constrangido, deu meia volta e foi se embora. Saiu de cena com sua bengala, os poucos fios grisalhos que lhe restavam na cabeça e a sua dignidade.

Maria embarcou sozinha e sozinha conheceu toda Nova Iorque. As dicas e histórias de cada lugar, contadas por João, não lhe saiam da memória. Não conseguia parar de pensar nele…

Sem dó nem piedade, na volta para casa, a velha tia solteirona lascou:

– E que tal o João?

– Foi um ótimo acompanhante. Imaginário.

Um desconhecido íntimo

O carioca Octávoctavio tostesio Tostes é quem assina a orelha do livro Maria volta ao bar. Jornalista com vasta experiência, tem passagem por importantes canais de TV, como Globo, Bandeirantes e CNN. Atualmente, é editor sênior do Jornal da Record.

Mas não é só de hard news que vive Octávio. A crônica também faz parte de sua rotina. Quer dar uma espiada? Clique aqui e leia Dois dedos de prosa com Machado de Assis, e conheça o texto leve e bem humorado de Tostes.

Para terminar, deixaremos nossos amigos leitores com um trechinho da orelha.

“Atenção às epígrafes de Antônio Maria. Elas são seu bilhete de viagem. Conferidas, deixe-se levar pela prosa de Rubem, Roberto, Gerson, Luciana, Zulmara, Mariana, Linda, Dora, Vanessa, Tiago e Felipe. Assim, pelos prenomes. Nélson Rodrigues, outro gigante do gênero, dizia que todo leitor é um desconhecido íntimo. Estes textos, rascunhados no bar Apolinário de Porto Alegre, materializam a essência da crônica tão bem definida pela também gaúcha Martha Medeiros: capturar o leitor e devolvê-lo à realidade mais alerta”.